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Você não incorpora entidades para salvar ou endireitar a vida de ninguém!
Por Administrador
Publicado em 29/01/2026 22:11
Umbanda

A incorporação não é um palco de salvação alheia, nem um instrumento de correção do outro. Ela é, antes de tudo, um chamado íntimo, profundo e intransferível: um processo de ajuste da própria alma.

 

Quando uma entidade se aproxima, não vem para exaltar o médium, nem para lhe conceder autoridade sobre o destino alheio. Vem para educar silenciosamente o espírito que a recebe.

 

Cada gira, cada ponto é um espelho onde o médium se vê sem máscaras.

 

O que se manifesta no corpo revela o que ainda precisa ser curado no íntimo.

A espiritualidade não invade o homem para consertar o mundo externo; ela entra para reorganizar o mundo interno.

 

Corrige posturas, quebra vaidades, confronta incoerências e exige responsabilidade moral.

 

Quem incorpora não é eleito para julgar caminhos, mas convocado a revisar os próprios passos.

 

Não se trata de poder, mas de compromisso. Não é dom para exibição, é disciplina para lapidação.

 

Aqueles que acreditam incorporar para "salvar" os outros ainda não compreenderam a pedagogia do sagrado.

 

A ajuda que chega ao consulente passa, inevitavelmente, pelo crivo da transformação do médium.

 

Só há cura verdadeira quando há coerência entre o que se manifesta no rito e o que se vive fora dele.

 

Incorporar é permitir que o sagrado toque primeiro as próprias feridas. É aceitar ser moldado, corrigido e, muitas vezes, desconstruído.

 

Quem entende isso caminha com humildade. Quem não entende, confunde espiritualidade com protagonismo.

 

No fim, a entidade não vem para ajustar a vida dos outros. Ela vem para alinhar a sua. E, quando isso acontece de verdade, o bem transborda naturalmente sem discurso, sem imposição, sem vaidade.

 

Texto e imagem:

Jefferson Santana @prosa_com_preto_velho

 

@prosa.deumbanda

 

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