Contam os antigos que Ogum, o orixá do ferro, da guerra e dos caminhos, caminhava incansavelmente.
Seu coração era forte, mas carregava batalhas, solidão e cansaço. Para onde ia, abria caminhos com sua espada, mas não conhecia o descanso da alma.
lemanjá, a grande mãe das águas, observava-o do mar. Ela, que ouve as dores do mundo no murmúrio das ondas, sentiu o cansaço de Ogum mesmo sem palavras.
Quando ele chegou à costa, ferido pela vida e pelas guerras, lemanjá o recebeu com seu manto de água salgada.
Ela lavou suas feridas, esfriou seu fogo e acalmou seu espírito. Ogum, pela primeira vez, baixou sua espada. Diante de lemanjá não era preciso lutar. No seu abraço encontrou lar, e no seu olhar, paz.
Ogum jurou protegê-la sempre, abrir caminhos para seus filhos e defender o equilíbrio do mundo. lemanjá, em troca, lhe deu a força que não nasce da guerra, mas do amor e do cuidado.
Desde então, quando o mar ruge, dizem que é lemanja lembrando a Ogum que nem tudo se vence com ferro.
E quando o ferro resiste sem quebrar, é Ogum honrando o amor da grande mãe do mar.