
O Cruzeiro das Almas é um dos fundamentos mais sagrados e menos compreendidos da Umbanda. Se você já viu uma grande cruz no centro de um terreiro ou de um cemitério e não sabia o que significava, esse post é para você.
Na Umbanda, o Cruzeiro das Almas funciona como um portal entre os mundos. É o ponto de passagem onde o espírito transita de um plano vibratório para outro. Quando alguém desencarna, muitas vezes fica desorientado, perdido, sem entender o que aconteceu. O Cruzeiro é a referência espiritual que permite que entidades de luz resgatem essas almas e as encaminhem para onde precisam ir.
Nos cemitérios, que na Umbanda chamamos de Calunga Pequena ou Campo Santo, o Cruzeiro fica geralmente no centro, bem visível. Ali se trabalha com as 13 Almas Benditas, que auxiliam a entrada das entidades trabalhadoras para o resgate de espíritos desencaminhados, perdidos e viciosos. É um dos trabalhos mais bonitos da nossa religião.
Dentro dos terreiros, o Cruzeiro também está presente. Muitas casas possuem o chamado Cantinho das Almas, onde são feitos assentamentos e firmamentos para proteção da casa e dos médiuns contra influências negativas de Kiumbas, Eguns e obsessores.
O Orixá que rege toda a força do Cruzeiro das Almas é Omulú, também conhecido como Obaluaiê, o Senhor das Almas e das Passagens. E as entidades que mais trabalham nesse ponto de força são os Pretos Velhos. Não é à toa que seus rosários, terços e pontos riscados quase sempre trazem uma cruz.
Quando um Guia de Luz te entrega uma vela branca e pede para acender no Cruzeiro, nem sempre é para afastar algo externo. Muitas vezes é para você mesmo transmutar algo que ainda não conseguiu resolver sozinho, com a ajuda de Omulú.
- A cruz na Umbanda é símbolo de ascensão. O Cruzeiro das Almas é ponto de luz, caridade e transformação. Quem entende isso, respeita.
